quinta-feira, 1 de março de 2007

DESERTO

Nenhuma vertente de enxadas preparadas,
Nesta estiagem apregoadas pelos abutres,
O tempo inteiro, e outras eras penadas,
Insinuadas pelos sinais de um turbo.
Esfuma falsas aberrações de tratados,
E as alegorias já podem ser absurdos,
Um poderoso que fazemos, abastado.

Barulhos, bandeiras fugidias. Palmeiras,
Participam da caça da beleza,
Das nuvens cobertores das estrelas,
De um resto ainda que se ama. O saltinbanco,
Olhando-se nas águas represadas,
Se contenta e ouve o som das cornetas, do outono
O descanso no escuro de um pântano.

Quanto fomos enganados. E o luar penso,
Ira nos campos inférteis, abertos, um langor,
Um ente profetisa entremeando os enterrados,
Calcando folhas, esterco, que o vento juntou.

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